A diferença está na tua perceção

As galinhas são animais sencientes, o que significa que são capazes de vivenciar experiências positivas ou negativas. São conscientes!

São conscientes.

A sua senciência tem vindo a ser reconhecida por cientistas ao longo do tempo, e reconhecidos na história, através, por exemplo, do Tratado de Lisboa ou da Declaração de Cambridge. Inclusive, no nosso país, a senciência dos animais foi também já reconhecida, através da Lei n.º 8/2017, de 3 de março, que “estabelece um estatuto jurídico dos animais, reconhecendo a sua natureza de seres vivos dotados de sensibilidade”.

Num estudo publicado em 2011 por Joanne L. Edgar, ficou provado que as galinhas sentem empatia. Neste estudo, os pintos foram colocados numa situação adversa (atingidos com rajadas de ar), enquanto as mães observavam e os seus ritmos cardíacos aumentavam.

Um outro estudo de 2017, publicado por Lori Marino, conclui que “as galinhas são tão cognitivas, emocional e socialmente complexas como a maior parte das aves e mamíferos, em várias áreas”. Marino conclui ainda que as galinhas conseguem antecipar situações, são capazes de memorizar, de desenvolver raciocínios lógicos, de autocontrolo, entre outras características relevantes para percebermos um pouco melhor o seu nível de sofrimento na indústria. São capazes ainda de formas simples de inferência transitiva, capacidade que os humanos atingem aproximadamente aos 7 anos de idade. Acrescenta ainda o papel da personalidade destas aves e conclui que podem ter personalidades diferentes, tal como os cães, os gatos e outros animais que nos são tão familiares.

Contudo, e surpreendentemente, as galinhas continuam a ser vistas como um ser cuja consciência é inexistente, cujo sofrimento não é relevante, e sem individualidade. São produtos. Produtos que consumimos e que já nascem com o propósito de satisfazer o nosso palato.

Vejamos este estudo realizado pela Mercy for the Animals, em 2017, referente às “Perceções das capacidades de vários animais não humanos”.


Os resultados expressos no gráfico exposto dão-nos uma clara ideia de como elas são vistas pela população geral. Sem grandes surpresas, chimpanzés e cães são os animais que a população crê terem mais capacidades semelhantes às dos animais humanos. Fica claro que os participantes do estudo classificam as galinhas como estando mais próximas das plantas do que dos humanos, nas suas capacidades. 

Este estudo também conclui que, quanto mais carne é ingerida por cada inquirido, menos capacidades este crê que os animais têm. Será que isto nos pode ajudar a perceber um outro motivo do consumo de carne, mais concretamente, o aumento do consumo de frango? Existe um preconceito inegável na nossa sociedade de que a galinha é um animal pouco inteligente. 

Como todos os preconceitos, este também tende a ser perigoso para o seu bem-estar e para a dissipação da ideia de que este é um animal desprovido de capacidades semelhantes às de outros animais, inclusive mesmo de humanos.

Por outro lado, de todas as capacidades mencionadas, é a capacidade de sentir dor física que os inquiridos mais acreditam que a galinha possua. Ora, já vimos anteriormente que está provada a senciência desta ave; contudo, mesmo quem não tem conhecimento destes estudos acredita que ela é capaz de sofrer, pelo menos, dor física. O que nos remete para questões de cariz ético, tais como:

  • O facto de acreditarmos que um ser vivo é dotado de menos inteligência que a de um humano torna legítimo e válido fazê-lo sofrer fisicamente?
  • O que é que isto diz de nós, humanos, da nossa própria consciência?

 

 

 

 

É TEMPO DE ABRIR ASAS.

Vídeo:

Excerto do documentário "Dominion"

Play Video

Créditos fotográficos © Farm Transparency Project / Dominion

Texto da petição:

Pelo fim do abate de pintos machos

Reconhecemos que esta prática é cruel, inaceitável e desumana, devendo ser legalmente proibida. Consideramos ainda que tal método não se justifica e não é coerente com as políticas de Bem-Estar Animal que a indústria e a legislação portuguesa dizem implementar. 

Queremos ver esta prática abolida e incentivos à investigação de tecnologias mais compassivas na indústria.

Atenciosamente,